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Desde o aparecimento da Gripe A que surgiram inúmeras teorias da conspiração sobre tudo o que envolve esta doença. Os principais alvos dessas teorias têm sido as vacinas contra esta gripe, o que originou desconfiança e até mesmo medo de boa parte da população em ser vacinada. A maioria desses “medos” não só não têm fundamento como alguns deles baseiam-se em declarações de pessoas que nem têm sanidade mental suficiente para gerir a sua própria vida.

É necessário que as pessoas sejam esclarecidas e que não decidam rejeitar a vacinação com base em receios dos quais não há qualquer prova de que sejam verdade — pelo contrário, as vacinas foram testadas e autorizadas pelas entidades competentes (no nosso caso, pela Agência Europeia do Medicamento); entidades essas que têm como função garantir que essas vacinas são suficientemente seguras para serem usadas.

Como é sempre bom ler a opinião daqueles que realmente percebem do assunto, deixo-vos aqui um artigo (muito interessante e esclarecedor) escrito pelo Prof. Mário Cordeiro, docente na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa — e sim, este senhor tem conhecimento/competência suficiente para falar sobre isto:

Comentário: Vacina da gripe A – lucidez ou paranóia? A escolha é sua


1. A “ministra” da Finlândia

Mesmo antes de se iniciar o Programa de Vacinação contra a Gripe A, já circulava na Internet um “famoso” vídeo da autoproclamada ex-ministra da Saúde da Finlândia, denunciando várias conspirações e maroscas que, resumidamente, davam a vacina contra a gripe A como um produto feito pelos americanos, destinado a extinguir a população de várias zonas do globo.

O vídeo circulou, mas poucos se deram ao trabalho de questionar tamanho disparate. Pois a senhora Rauni Kilde era médica e directora-geral da Saúde quando, em 1986 (há mais de 20 anos), teve um acidente de viação e ficou, digamos, com uma diminuição acentuada da sua lucidez. Por essa razão, foi declarada inapta e passou a ser uma entusiasta da ovnilogia, ou seja, o que trata de discos voadores e ET, tendo publicado inclusivamente um livro em que afirma ter sido salva três vezes por extraterrestres.

Infelizmente, este tipo de argumentação – que nada tem de científico nem de lógico – tem grassado na sociedade, promovido pela circulação de e-mails e pelo sensacionalismo de alguma imprensa (é tão fácil mistificar títulos de artigos ou “cachas”!).

2. A vacina anti-gripe A
A vacina da gripe A é uma vacina segura e eficaz. Repito: segura e eficaz. E é bom que as pessoas assumam isto como um facto científico. Os efeitos colaterais que pode ter – como qualquer vacina – não a tornam insegura e resumem-se a febre baixa, dores musculares, inflamação no local da vacina e, nos adolescentes, sensação de desmaio. Os casos de reacção grave são raríssimos (menos de um caso para um milhão de vacinas!), e apenas em pessoas que tiveram reacções anafilácticas ao comer ovo (não são as inofensivas alergias da pele, mas ao verdadeiro choque “de cair para o lado”).

Uma das questões que muita gente levanta é a “pressa” com que a vacina foi feita. Pois a dita “rapidez” (entre aspas) foi a necessária e suficiente, semelhante a todas as vacinas antigripais. Não houve, portanto, qualquer pressa e tudo foi feito com o controlo de qualidade adequado. Outro argumento: as multinacionais andam a ganhar muito dinheiro com as vacinas; ao que eu contesto: então os vendedores de lenços de papel também ganham com as constipações e com a gripe, o que não quer dizer que estejam envolvidos em qualquer teoria da conspiração ou de manipulação.

Mais um argumento: o adjuvante, de seu nome escualeno, que causaria autismo e outras coisas mais. Não é verdade, e tal já foi bastamente clarificado quando da polémica, aqui há alguns anos, sobre a vacina do sarampo. O facto de alguns países retirarem estas vacinas tem a ver com pressões ambientalistas referentes ao uso de mercúrio, mas as alternativas ainda são muito escassas. Obviamente que, um dia que haja capacidade de produzir vacinas em massa sem escualeno, serão estas que ocuparão o espaço vacinal em todos os países.

3. As grávidas e a morte fetal tardia
No nosso país, ocorrem todos os anos, em média, 300 mortes fetais após as 22 semanas de gestação. Em muitos destes casos não é possível encontrar uma explicação. Como o número de grávidas vacinadas com a vacina anti-gripe A está felizmente a aumentar, é natural que os casos como os relatados nestas duas últimas semanas – morte fetal em grávida vacinada – sejam cada vez mais frequentes, sem que isso permita extrair qualquer relação de causa-efeito.

Relembro também que a gripe A pode ter efeitos mais desastrosos na grávida do que na população em geral, devido às alterações do sistema imunitário que ocorrem na gravidez.

4. Em conclusão
As doenças matam, as vacinas não. Em Portugal, centenas de milhares de pessoas estão vivas e de boa saúde graças às vacinas. A gripe A, apesar de ser uma variante benigna e “mansa” da gripe, pode ter consequências graves, designadamente nas grávidas e noutros grupos de risco acrescido, bem como (segundo os dados da monitorização da pandemia que vão chegando) nas crianças de menos idade. Por outro lado, a contenção da pandemia passa por travar a transmissão entre as crianças, que têm sido, provadamente, as maiores disseminadoras da doença.

É tempo de optar: independentemente do que viermos a fazer (só se vacina quem quer!), há dois tipos de atitudes: a que é lógica, científica, lúcida e isenta, ou a que é sensacionalista, mal informada e não fundamentada… como os ovnis e extraterrestres da ex-ministra que nunca foi ministra…

Mário Cordeiro, Pediatra e professor de Saúde Pública – Faculdade de Ciências Médicas (Universidade Nova de Lisboa)

- Fonte: Artigo de opinião no Jornal Público -

Ora aqui estou eu mais uma vez para fazer uma review a mais uma versão do Ubuntu. Já faço isto há tantos anos que já não sei se serei capaz de parar. Para não variar, levanto a seguinte questão: estaremos perante o melhor Ubuntu de sempre, ou será que este avanço é sobretudo “um passo para trás”? Vamos lá esmiuçar isto e tirar as devidas conclusões.

Finalmente, um novo aspecto

Não, hoje não é dia 1 de Abril nem aquele que vos escreve enlouqueceu: o Karmic Koala ganhou mesmo um novo aspecto. Isto era prometido desde quando? Não tenho a certeza mas julgo que é desde a versão 7.04 (Feisty Fawn), ou seja: há dois anos e meio que a comunidade Ubuntu espera por uma “lavagem de cara” deste sistema operativo. A cada lançamento o pessoal da Canonical (incluindo o Mark Shuttleworth) anunciava que “desta vez é que vamos ter um novo artwork”, mas isso só agora é que se concretizou.

As novidades a este nível podem-se resumir a:

  • O visual do “boot” ficou muito mais bonito: o logótipo do Ubuntu passou a aparecer em branco sobre um fundo preto e castanho escuro; também o menu de login surge com essas cores e passou a disponibilizar uma caixa onde se encontram os nomes dos utilizadores, tornando assim mais rápida a autenticação (basta agora seleccionar o utilizador e colocar a password).
  • Um novo tema que tem como base o famoso “Dust”: a margem da janela é mais fina e tem uma cor castanha escura (sinceramente nem sei muito bem que cor é esta); o resto das janelas continuam a ter um tom cinzento (apesar de ser um pouco mais escuro) e os objectos seleccionados e as barras de progresso herdaram a cor do tema Dust (bordeaux escuro). Já agora, o tema mantém o nome antigo: Human.

karmic desktop

  • Os ícones antigos foram substituídos por uns que andavam a fazer bastante sucesso no mundo GNOME: os Humanity. São muito bonitos, sim senhor, sobretudo as pastas e os ícones da área de notificação (essa área do painel ficou demasiado parecida ao Mac OS X).

icons karmic

Centro de Software Ubuntu

É uma daquelas novidades que neste lançamento tem pouca importância mas que a longo prazo (daqui a dois ou três lançamentos) será um dos principais programas deste sistema operativo. Por enquanto ele apenas substitui o antigo “Adicionar/Remover Programas”, mas mais tarde ele será todo o centro da gestão de software no Ubuntu, substituindo também o Synaptic, o gestor de fontes de software, o gestor de actualizações e o GDebi. Esta será, sem dúvida, uma aplicação chave no mundo Ubuntu (mas, infelizmente, não tão completo como o YAST do openSUSE — que vai muito mais além do que a mera gestão de software).

Como ponto negativo tenho de referir que o Centro de Software Ubuntu deu um passo para trás face ao antigo “Adicionar/Remover Programas” já que deixou de ser possível organizar as aplicações disponíveis por popularidade de download, o que faz com que os novatos que usavam essa funcionalidade para saberem quais os programas mais famosos para determinadas tarefas, fiquem sem esta útil referência.

centro sofware

Aumento da performance

A velocidade do sistema operativo disparou e de que maneira. Para isso contribuíram as mudanças no uso do Upstart (que já é usado no Ubuntu desde a versão 6.10 Edgy Eft), o ext4 como sistema de ficheiros predefinido e as limpezas feitas em bibliotecas de software antigas que deixaram de ser usadas pelo GNOME.

Para ser sincero, não é a tão falada velocidade do boot que mais me espanta mas sim o aumento de resposta na utilização do sistema e, sobretudo, a velocidade de encerramento do PC (aqui é que ele está imparável não levando mais do que 3 ou 4 segundos a desligar).

Netbook friendly

Todo o sistema operativo foi optimizado para ser utilizado em netbooks — não só a nível de drivers como também (e sobretudo) a nível visual, como por exemplo:

  • As notificações que se estrearam no Jaunty (notify-osd) sofreram um encolhimento, tanto a nível do tamanho do “balão” como do tamanho das letras, passando assim a ocupar menos espaço nos pequenos ecrãs destes mini-portáteis (no Asus Eee PC de 7 polegadas, a percentagem de ecrã ocupado era uma autêntica tragédia grega).
  • As janelas do Nautilus (o gestor de ficheiros do Ubuntu — tipo Windows Explorer) passaram também elas a ocupar menos espaço vertical no ecrã, já que na barra de ferramentas os ícones deixaram de ter por baixo deles a sua descrição, poupando ali vários pixeis que fazem toda a diferença em ecrãs pequenos.

setas nautilus

O Pidgin foi substituído pelo Empathy

Quando comecei a escrever esta análise coloquei este tema na secção “O que não gostei no Karmic”, mas, após alguma reflexão, considerei que isto não passa de um gosto pessoal e que muita gente vai preferir este novo messenger ao Pidgin.
Que novidades/vantagens traz o Empathy face ao Pidgin? Em primeiro lugar este messenger é um projecto do Gnome e por isso é normal que a integração com os outros programas seja muito maior. Em segundo lugar há que destacar que o Empathy tem como base a framework Telepathy que, segundo os entendidos na matéria, é uma plataforma com bastante potencial e poderá vir a ser adoptada pela grande maioria dos softwares de comunicação. Por fim, há que sublinhar que os programadores deste IM estão comprometidos a suportar ao máximo as funcionalidades dos vários protocolos (MSN, XMPP, Yahoo, etc) — esta é uma das grandes diferenças para com o Pidgin que, até há bem pouco tempo, deixava para trás algumas funcionalidades que os utilizadores tanto desejavam (como é o caso do áudio e vídeo).

Eu, por enquanto, vou continuar a usar o Pidgin não só porque está muito mais estável mas também porque gosto mais da sua interface. São gostos.

Outras coisas

  • A nível de som os melhoramentos são mais que muitos:
    - As preferências de som foram totalmente remodeladas, apresentando agora uma janela mais simples, com as funções arrumadas em 5 separadores diferentes (Efeitos Sonoros; Equipamento; Entrada; Saída; Aplicações), desaparecendo assim o equalizador ALSA que tínhamos antes, o que se apresenta como um pau de dois bicos porque, por um lado, descomplica as preferências de som, mas por outro deixam de estar disponíveis “out of the box” funções que apareciam no dito equalizador. Na minha opinião, considero que mesmo assim o saldo é claramente positivo.
    - Correcção de bugs de som: Desde que comprei o meu portátil (há quase 2 anos) que tenho tido problemas de som com todas as distribuições de Linux. Se no inicio nem som tinha, pelo que era obrigado a activar um modulo especifico nas definições do ALSA, com o lançamento do Intrepid Ibex (Ubuntu 8.10) o som passou a funcionar mas vi-me obrigado a desligar o botão do CD no equalizador do ALSA para que um irritante “zumbido” desaparecesse das minha colunas. Ora, com o lançamento do Karmic o som passou a funcionar a 100%, sem qualquer tipo de intervenção da minha parte. Acreditem que, para mim, isto é uma grande e espectacular novidade.
  • O NetworkManager foi melhorado e apresenta agora um útil botão para desligar a rede wireless à qual estamos conectados. Pode parecer coisa sem importância mas torna a gestão das redes wireless muito mais simples. Outra das novidades deste gestor de redes é o surgimento do menu “Mais redes” no qual são colocadas mais redes wireless disponíveis, evitando assim que no caso de existirem muitas redes, todas elas apareçam no menu principal, desaparecendo assim a enorme lista que antes tínhamos e que nos levava a navegar por ela através de um barra de scroll.

networkmanager karmic

  • O Karmic tem a “honra” de estrear o Ubuntu One, o novo serviço de alojamento da Canonical. Trata-se de um serviço semelhante ao Dropbox que oferece 2gb de espaço num servidor (cloud) para que possamos colocar lá os nossos ficheiros. A integração deste serviço dentro do sistema operativo permite-nos ter uma pasta no Nautilus que faz com que os ficheiros que lá estão, estejam em plena sintonia com o servidor e com os outros PCs nos quais também utilizamos a nossa conta do Ubuntu One.
  • Não sei bem se esta é uma novidade mas, pelo menos no meu PC, o Pidgin passou a suportar símbolos unicode nas mensagens pessoais. Antes estes eram substituídos por uns caracteres esquisitos (mais concretamente, rectângulos), o que se tornava um pouco irritante. Possivelmente esta novidade até se estende a mais programas.

O que não gostei (ou gostei pouco) no Karmic

Não tenho muito por onde criticar, mas o que é certo é que o Ubuntu 9.10 não é perfeito:

  • Sinceramente, não sei há quantos anos é que eu me queixo desta falha, mas a Canonical insiste em achar que esta funcionalidade não é uma prioridade: um gestor gráfico do GRUB. Esta é uma daquelas situações que se está a tornar inadmissível e impensável face a outras distribuições que resolvem (e bem) essa situação (openSUSE, Mandriva, etc). Refiro isto em todas as análises que fiz até hoje, por isso, acho que este é o meu “bug” de estimação.
  • O Flash incluído nos repositórios da versão AMD64 (64 bit) continua a ser o de 32 bit, tendo assim de utilizar as ia32-libs que mais não são do que bibliotecas que permitem correr programas compilados para 32 bit em distribuições de Linux de 64 bits. Mas, como é óbvio, a performance é pior do que quando utilizado nas distros de 32 bits (e, só para terem noção da gravidade disto, a performance do flash de 32 bit em sistemas 32 bit já é muito, muito má).
    Como é que se resolveria este problema? Simplesmente incluiria-se a versão alpha do Flash de 64 bit para Linux. “Ah e tal, como é alpha é demasiado instável para ser utilizado no dia-a-dia”. Não, nada mais errado: eu estou a utilizar o Ubuntu Karmic de 64 bit com o Flash de 64 bit e posso-vos garantir que esta versão é ainda mais estável e rápida do que a de 32, e, por isso, não vejo qualquer impedimento para ser incluindo nos repositórios.
  • A decisão de colocar as notificações um pouco mais abaixo do que estavam anteriormente (criando um espaço entre o painel e a notificação), está profundamente errada. Qual o argumento que os programadores usaram para optarem por esta posição? “Os utilizadores queixavam-se que a bolha de notificação tapava a barra de pesquisa do Firefox”. Meus amigos, a sério… vamos mesmo colocar a bolha num local sem sentido só porque está a tapar uma funcionalidade de um único programa, quando este está maximizado? Mais: a nova posição das notificações passou a tapar as tabs do Firefox que estão no lado direito, o que leva a que o utilizador deixe de saber quais são as que estão lá debaixo durante os segundos em que aparece uma notificação, o que me parece bem mais grave do que não ver uma caixa que sabemos exactamente onde está. Eles devem saber melhor do que eu que basta colocarmos o rato em cima da notificação para que ela desapareça e para que possamos assim usar normalmente toda e qualquer funcionalidade da janela que está por baixo. Com toda a sinceridade, acho que esta opção de usabilidade é simplesmente absurda. Felizmente, não sou o único a achar isso.

notify karmic

Resumindo e concluindo

Ora, mais uma vez chego à conclusão de que estamos perante a melhor versão de sempre do Ubuntu. Admito que no primeiro contacto que tive com o Karmic, durante o seu desenvolvimento (Alpha 6), fiquei muito apreensivo porque ele estava demasiado instável em comparação com o Jaunty, na mesma fase. A versão beta também não me agradou, mas mais ou menos uma semana depois a distro estabilizou e passei a usa-la diariamente.

Como pontos fortes há que destacar a nova aparência do Ubuntu; o aumento da qualidade, da performance e da estabilidade; a resolução de pequenos problemas de usabilidade e, não menos importante, a inclusão de algumas inovações face aos sistemas operativos concorrentes (o Ubuntu One é um bom exemplo disso mesmo).

Pelo lado negativo tenho de destacar a teimosia e/ou o autismo da Canonical. Pessoalmente, as mudança do comportamento das  notificações e a insistência em não criar um gestor gráfico do Grub são as que mais me chateiam. Se no caso das notificações, mesmo assim, há gente que prefere como estão agora (clara minoria), no caso do gestor gráfico do Grub toda a gente deseja que ele apareça de uma vez por todas. Este pedido não é de hoje nem de ontem: este pedido tem anos!

Bem, espero que esta análise tenha tocado nos pontos essenciais e que ajude a esclarecer as inovações e retrocessos deste lançamento. O artigo era para incluir mais “esmiuçamento” mas, como sempre, o tempo foi mais curto do que eu desejava. Se se justificar, mais tarde faço um artigo que complemente este. Até lá!

NOTA: Quem quiser fazer o download da versão final do Karmic pode fazê-lo através desta página do Darkstar (servidor do Instituto Superior Técnico).

O Windows 7 ainda não saiu, mas eu já o “odeio”. Porquê?

  • Asus Eee PC 1005HA (M) com o Windows XP – €279
  • Asus Eee PC 1005HA (M) com o Windows 7  – €329

329 – 279 = €50

Ou seja: não tarda nada vão começar a desaparecer os netbooks com o Windows XP e eu, se quiser comprar um bichinho destes, vou ter de desembolsar 50 euros a mais por um portátil com as características exactamente iguais.

Muito obrigado, Microsoft.

Todos os anos (lectivos) o tema “praxes” surge na comunicação social (re)lançando o debate sobre a existência/limites desta tradição.

Mas afinal, o que são as praxes académicas? A Wikipédia dá uma ajuda e diz-nos que se trata do “conjunto de tradições, usos e costumes de uma comunidade académica portuguesa“. Até aqui, tudo bem. Em sentido estrito costuma-se chamar “praxe” às práticas de recepção ao caloiro que consistem, por norma, em jogos, tarefas e jantares que têm como objectivo integrar os novos alunos e dar-lhes a conhecer a vida académica.

Ora bem, isto até agora soa a uma bela melodia, mas o tema tem sido muito debatido por um motivo: os abusos. Há um limite claro entre a integração do caloiro (que inclui o tratamento de forma igual entre todos os caloiros — porque nenhum deles é superior ao outro) e o abuso de uma pseudo-autoridade que leva a que determinados veteranos consigam libertar as suas frustrações num bando de miúdos assustados. São exactamente estes idiotas que conseguem estragar uma prática que tinha tudo para ser algo bom.

Para além dos problemas que acontecem durante algumas praxes (o mais comum é a humilhação), a má fama que esta tradição ganhou consegue atingir os que ainda nem entraram “na Universidade”, levando a que algumas pessoas tenham pavor de entrar no mundo académico porque têm medo de sofrer as barbaridades de que tanto se fala.

Se me perguntarem “és contra as praxes?”, eu digo não, mas defendo que o modelo actual de tolerância face a algumas barbaridades deve ser abolido. Eu sei, eu sei, nos últimos anos o controlo aumentou e mais gente foi responsabilizada pelos seus actos. Mas não é suficiente. Prova disso é que nalgumas Universidades, Faculdades ou cursos, continuam a surgir casos de praxes organizadas (sublinho a parte do “organizadas”) que contêm todo o tipo de absurdos. E isso é intolerável.

Assim, reformulando a resposta à pergunta que levantei no parágrafo anterior, eu digo SIM às praxes que integram os caloiros e às praxes que aumentam o convívio e espírito de entreajuda entre os universitários. Eu digo NÃO às práticas absurdas e animalescas de alguns veteranos que tentam legitimá-las através da palavra mágica “tradição”.

Não se esqueçam que não é por ser tradição que determinada prática deixa de ser incrivelmente estúpida.

Até parece mentira, mas não é: o Ubuntu Karmic vai ter um novo visual. A renovação do aspecto desta distribuição de Linux já é prometida há anos, mas só agora é que parece que vai para a frente (a não ser que aconteça como no Ubuntu 8.10 — aka Intrepid Ibex — no qual surgiu, durante o seu desenvolvimento, o tema “DarkRoom”, mas que rapidamente deixou de ser o predefinido para voltar para o velhinho “Human” castanho).

karmic novo tema

Este novo tema faz-me lembrar o famoso “ClearLook” com algumas das cores do “Dust”. Na minha opinião, até está porreirinho, mas preferia que a margem da janela fosse preta, à imagem do que acontece no tema “Dust”.

Também há que destacar a substituição dos icons que passaram a ser os “Humanity”. São bem mais apelativos que os anteriores, sobretudo o desenho das pastas; mas parece-me que os icons dos painéis (sobretudo da área de notificação) estão um pouco desenquadrados do restante tema (estão com um estilo muito “Mac OS X”).

NOTA: Eu sabia que ia valer a pena testar a daily-live do Karmic de hoje: é certo que deu-me muitos erros e não o consegui instalar em condições, mas ao menos dei de caras com este novo artwork. :)

A existência de vários “sabores” de Linux é muitas vezes referida para justificar a baixa percentagem de desktops e portáteis que usam este sistema operativo. Segundo aqueles que defendem esta posição, se existisse apenas uma única distribuição de Linux, este sistema operativo ganharia mais força porque teria todos os programadores e investidores a “remar” na mesma direcção e o utilizador teria a escolha facilitada porque não haveria muito por onde escolher.

Mas será que é isso mesmo que acontece? Na minha opinião, não.

Vamos lá olhar para o mercado em concreto em vez de opinar em teoria: se olharmos para as distribuições de Linux que existem actualmente, percebemos, com alguma facilidade, que só meia dúzia delas é que têm real relevância a nível da quantidade de utilizadores e de contribuições com projectos, código ou correcção de bugs (Debian/Ubuntu, Fedora, Suse e, num patamar um pouco mais abaixo, Mandriva); as restantes não passam de derivados (com poucas diferenças do original) ou de distros construídas de raiz mas que têm pouca influência dentro do mundo do pinguim e do software livre em geral. Assim, não se coloca o problema de existir uma grande dispersão de esforços, porque eles concentram-se, essencialmente, em poucas distribuições.

À pergunta “Não seria ainda melhor se existisse apenas uma grande distribuição de Linux?” eu respondo novamente que não porque, como é facilmente verificável, cada uma delas tem características únicas que seriam inconciliáveis numa só distro. Por exemplo, o Ubuntu e Fedora fazem grandes apostas no ambiente gráfico GNOME e em todos os projectos que andam à sua volta, enquanto que SUSE e Mandriva apostam essencialmente no ambiente gráfico KDE e no toolkit QT; enquanto o Ubuntu e Debian apostam no pacote de software .deb, as distros Fedora, SUSE e Mandriva apostam no .rpm; enquanto que o Ubuntu, Fedora e Mandriva apostam em ciclos de desenvolvimento de seis meses, a distribuição openSUSE opta, por motivos de estabilidade, por ciclos de 8 meses; enquanto que a distro Debian prefere utilizar software mais estável (ou seja, que é um pouco mais antigo e por isso, está mais testado), as restantes distribuições optam por incluir o software mais recente (preferem ter novas funcionalidades, mesmo que isso sacrifique um pouca a estabilidade).

Em jeito de conclusão, reafirmo a resposta que dei no inicio do artigo: Não existem demasiadas distribuições de Linux; existe sim a quantidade necessária para preencher as várias necessidades do mercado. A maioria das pessoas usa uma das principais distros porque são estas que têm mais utilizadores e que estão no centro do desenvolvimento do mundo Linux; as restantes pessoas podem optar por usar qualquer outra distribuição que tenha as características que se adaptam ao seu caso concreto (como bons exemplos posso referir os vários derivados do Ubuntu: edições religiosas, multimédia, extremamente leves para PCs antigos, com suporte exclusivo e melhorado para um determinado país/língua, etc).

O Bloco de Esquerda é, actualmente, um dos partidos portugueses que mais tem apoiado a implementação do software livre e de standards internacionais nos vários órgãos e serviços das pessoas colectivas públicas (Estado, Autarquias, Regiões Autónomas, etc). É uma atitude que me agrada e que devo confessar que tem todo o meu apoio, pelos mais variados motivos que tenho vindo a referir neste blog e nos posts que escrevi no Peopleware.

Mas uma coisa é apoiar em teoria e outra coisa é dar o exemplo; algo que o Bloco de Esquerda não faz: o site Esquerda.net, que é o portal de informações deste partido, usa o Adobe Flash Player (que é software proprietário) na subscrição da newsletter e no cabeçalho do site (não me refiro aos vídeos que “lá andam” porque, neste momento, é quase inevitável — ou é pelo menos demasiado oneroso — optar por usar esta tecnologia, para esse fim, devido à sua utilização pelos principais sites de vídeos). Assim, se eu quiser receber as notícias deste portal no meu email, só o poderei fazer se tiver o Flash instalado. Ora isso não facilita em nada a democratização do acesso às novas tecnologias e mais concretamente à Internet (que é algo que é “bandeira” do Bloco).

Se o BE quer cumprir o seu programa de governo, mais concretamente as páginas 93 e seguintes, faça o favor de começar por arrumar a própria casa e retirar o Flash Player do portal, nos sítios em que ele é desnecessário (ex: uma imagem .gif pode substituir a animação do cabeçalho). Vão ver que ficam com o portal mais leve e mais acessível para toda a gente (tal como o próprio BE deseja… em teoria).

“Ah e tal, tu és anti-Bloco de Esquerda e arranjaste uma desculpa idiota só para criticar”. Não, não é este o caso. Apenas dediquei um post a este tema para alertar que, neste caso, o problema não são só os outros: nós próprios temos de rever os nossos hábitos informáticos e perceber que alguns deles estão de tal maneira enraizados que os maiores defensores da causa são os primeiros a ir contra ela, simplesmente porque “é normal usar Flash para tudo e mais alguma coisa”.

Ok, eu admito que aproveitei este artigo para dar uma alfinetada no BE (mas das pequeninas). Foi mais forte do que eu. ;)

É curiosa a maneira como alguns países encaram o bem “vida”. Nos Estados Unidos, por exemplo, admite-se, em alguns Estados, que um sujeito que cometa o crime de homicídio em determinadas circunstâncias, seja punido com a pena de morte. Por outro lado, nesses mesmos Estados, proíbe-se a prática da eutanásia em pessoas que estão em fase terminal e que apenas desejam morrer em paz, sem dor e com alguma dignidade.

Acho que é necessário, de vez em quando, revermos os valores pelos quais nos guiamos. Só nos fazia bem.

Extra, extra, extra! O Google Maps já disponibiliza a opção “Street View” em Portugal.

Andava eu no Google Maps à procura de uma morada de uma casa em Lisboa, para alugar, quando reparei que o boneco amarelo do Street View mexeu-se quando passei por lá o rato. A disponibilização desta funcionalidade tem de ser muito recente porque há alguma horas atrás tentei utiliza-la mas não funcionava.

Pelo que deu para perceber, o Street View ainda só está disponível em Lisboa e no Porto.

Querem uma prova? Então aqui têm a “foto” da faculdade mais “gira” do país: a Faculdade de Direito de Lisboa.

streetview faculdade direito

Não sei se se lembram mas, há cerca de três anos, num caso que foi bastante mediático na comunicação social, duas senhoras homossexuais dirigiram-se a uma conservatória de Lisboa para tentar casar. O conservador, como é óbvio, recusou-se a fazê-lo porque o Código Civil não lhe permite efectuar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Como não ficaram satisfeitas com essa decisão, as duas senhoras iniciaram uma batalha nos tribunais para que sejam removidos todos e quaisquer obstáculos ao seu casamento. Para tal, invocam a inconstitucionalidade do artigo 1577º do Código Civil por violar o principio da igualdade (na sua vertente negativa, ou seja, trata-se do principio da não discriminação) previsto no artigo 13º nº2 da Constituição da República Portuguesa.

Tudo isto para fazer uma breve referência à noticia que o Diário Económico publicou, referente a este caso. Segundo este jornal, e passo a citar: “o Tribunal Constitucional considerou que a Constituição não o permite. Casamento é exclusivamente para heterossexuais”. Ora, senhora jornalista Susana Represas, o Tribunal Constitucional não vai dizer, de certeza absoluta, que a Constituição não permite o casamento homossexual e que esta instituição é exclusiva para heterossexuais. O que o TC poderá fazer (e foi exactamente para isso que “foi chamado à questão”) é declarar ou não inconstitucional o artigo 1577º do Código Civil. Se optar pela não inconstitucionalidade deste artigo, este pura e simplesmente mantém-se em vigor não sendo assim banido da ordem jurídica, ou seja: se o Código Civil, um dia destes, for alterado e no artigo 1577º passar a constar que o casamento pode ser celebrado entre pessoas do mesmo sexo, esta nova redacção não passará a violar a Constituição.

Eu sei que a noticia é muito mais apelativa e vende muito mais se tiver o conteúdo dado pelo DE. Mas também sei que o que lá está escrito é um enorme disparate e que vem revelar desinformação e/ou incompetência, o que não abona nada no sentido da credibilidade deste jornal.

Para a próxima, façam o trabalho de casa.

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