Google Chrome – Análise e Pensamentos
Oct 20th, 2008 by Rui Brás
Apesar de o fazer com algumas semanas de atraso, também eu vou falar do Google Chrome, o novo browser da gigante Google. Vou dividir este artigo em duas partes:
- O review ao browser.
- Pensamentos sobre o porquê da criação deste navegador e as suas consequências.
«Análise»
Tenho estado a testá-lo desde o dia 2 de Setembro (dia em que foi lançada a versão para o Windows), e posso desde já adiantar que estou impressionado com algumas características deste browser.
Em primeiro lugar, ele é hiper rápido: quando abrimos um site ele consegue “montá-lo” muito mais rapidamente do que em qualquer outro browser que tenho no meu PC. Segundo a Google, isto acontece devido não só ao revolucionário V8 JavaScript engine, mas também à opção pelo Webkit para ser o renderizador do Chrome.
De aspecto simples e “limpinho”, o Google Chrome foi desenhado para não se meter no “caminho” do utilizador, abdicando para isso das barras excessivas e dos menus complicados, nos quais costuma ser muito fácil não encontrarmos a opção que procuramos.

Uma das coisas que mais gosto neste browser (tal como no Opera), é o não aparecimento de uma “janela” nova com a barra de progresso dos downloads, porque no Chrome, o download é integrado no canto inferior esquerdo do separador que contém o link para o ficheiro a descarregar.

Também bastante útil é a possibilidade de, passo a redundância, separar um separador da janela principal, criando duas janelas autónomas. O processo contrário, que é unir duas janelas numa só, também é possível.
A preocupação com a privacidade não foi deixada de fora, por isso o Chrome tem a opção para abrir uma janela sem registo, ou seja, não guarda o histórico nem as cookies dos sites que visitamos.

Parece-me que esta funcionalidade tem um pequeno bug, porque não é possível esconder a nossa barra dos favoritos (nas palavras do Chrome, a barra de marcadores).
Pela parte negativa, tenho três críticas a fazer:
- O Separador “Mais Visitadas” – É sem dúvida muito útil para quem o utiliza, mas o que é certo é que ele torna-se um “empecilho” para a privacidade de quem não o quer utilizar porque não há forma de apagar a listagem que lá se encontra (eu pelo menos ainda não descobri).
- A segunda crítica também tem a ver com a privacidade: não podemos colocar o modo sem registo como predefinido, o que nos dá duas opções para navegarmos de forma anónima: Ou utilizo o modo sem registo (que não pode ser colocado como predefinido), ou então temos de apagar a listagem do histórico manualmente, o que se torna num encargo absolutamente ridículo. A Google podia ter optado por uma solução parecida à do Firefox, no qual podemos colocar os registos todos a zero, o que faz com que ao fechar o browser, todo o histórico desapareça.
- A última crítica refere-se ao facto de o Chrome, pelo menos por enquanto, não suportar extensões. Toda a gente sabe que este foi um dos principais argumentos do Firefox para se impor num mercado dominado pelo “cinzento” Internet Explorer. Até mesmo o novíssimo OpenOffice 3 optou por ter essa capacidade para adicionar novas funcionalidades. Prefiro pensar que o Chrome ainda está em desenvolvimento e que por esse motivo, esta função só será adicionada depois do browser já estar suficientemente estável.
«Pensamentos»
Toda a gente sabe que o negócio da Google é a publicidade na Internet, por isso é mais do que compreensível que avancem com o seu próprio browser, que é a forma como acedemos a essa mesma “net”.
O Chrome já traz o Google Gears instalado, e este será, na minha modesta opinião, o futuro para a criação de aplicações “simples”. O que quero eu dizer com isto? Quero dizer que com este software, os browsers deixam de ser meros instrumentos para navegar na Internet, para passarem a ser uns mini sistemas operativos (ou sistemas operativos dentro do sistema operativo principal), o que elevará o software multiplataforma para um novo patamar (tal como o JAVA já o deveria ter feito). Felizmente o Gears não é exclusivo do Chrome, e já se encontra disponível para o IE, Firefox, Safari e dentro de pouco tempo, para o Opera.

Há quem diga que o Chrome será o responsável por uma eventual “queda” do Firefox, mas eu não concordo. Acho que o primeiro browser a sofrer realmente com a chegada do Google Chrome será o Opera para desktop, porque este é definitivamente o elo mais fraco dos principais browsers (numa perspectiva de marketing e de quantidade de fanboys, não de qualidade). O Safari sofrerá na versão para o Windows, mas em Mac OS X, parece-me que não sofrerá grandes perdas porque este é o seu ambiente natural e a sua interacção com o download e instalação dos ficheiros .dmg poderá ser um bom motivo paras que os “apple boys” continuem a utiliza-lo.
O facto de ser open source e multiplataforma, irá possibilitar-lhe um horizonte de mercado que actualmente só o Firefox tem. Acredito que mais tarde ou mais cedo irão aparecer distribuições de Linux que trazem o Chrome como browser predefinido (claro que isto só acontecerá quando a Google lançar a versão nativa para GNU/Linux), o que trará uma concorrência saudável para este nicho de mercado que é actualmente dominado pelo Firefox. As distribuições que não trouxerem este browser instalado, irão trazê-lo com certeza nos repositórios oficiais (talvez com a excepção do Debian). Já me consigo imaginar a escrever na consola (terminal) do meu Ubuntu:
sudo apt-get install chrome

Para concluir este artigo, quero dizer que o surgimento do Chrome poderá trazer muitas coisas boas para o mundo do software livre. O respeito pelos standards da W3C e a cooperação com os outros browsers que também o fazem, poderá levar à queda do “mal comportado” Internet Explorer, abrindo assim o caminho para uma navegação uniforme e verdadeiramente livre (as in freedom).

