As teorias da conspiração sobre as vacinas contra a Gripe A
Dec 25th, 2009 by Rui Brás
Desde o aparecimento da Gripe A que surgiram inúmeras teorias da conspiração sobre tudo o que envolve esta doença. Os principais alvos dessas teorias têm sido as vacinas contra esta gripe, o que originou desconfiança e até mesmo medo de boa parte da população em ser vacinada. A maioria desses “medos” não só não têm fundamento como alguns deles baseiam-se em declarações de pessoas que nem têm sanidade mental suficiente para gerir a sua própria vida.
É necessário que as pessoas sejam esclarecidas e que não decidam rejeitar a vacinação com base em receios dos quais não há qualquer prova de que sejam verdade — pelo contrário, as vacinas foram testadas e autorizadas pelas entidades competentes (no nosso caso, pela Agência Europeia do Medicamento); entidades essas que têm como função garantir que essas vacinas são suficientemente seguras para serem usadas.
Como é sempre bom ler a opinião daqueles que realmente percebem do assunto, deixo-vos aqui um artigo (muito interessante e esclarecedor) escrito pelo Prof. Mário Cordeiro, docente na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa — e sim, este senhor tem conhecimento/competência suficiente para falar sobre isto:
Comentário: Vacina da gripe A – lucidez ou paranóia? A escolha é sua
1. A “ministra” da Finlândia
Mesmo antes de se iniciar o Programa de Vacinação contra a Gripe A, já circulava na Internet um “famoso” vídeo da autoproclamada ex-ministra da Saúde da Finlândia, denunciando várias conspirações e maroscas que, resumidamente, davam a vacina contra a gripe A como um produto feito pelos americanos, destinado a extinguir a população de várias zonas do globo.
O vídeo circulou, mas poucos se deram ao trabalho de questionar tamanho disparate. Pois a senhora Rauni Kilde era médica e directora-geral da Saúde quando, em 1986 (há mais de 20 anos), teve um acidente de viação e ficou, digamos, com uma diminuição acentuada da sua lucidez. Por essa razão, foi declarada inapta e passou a ser uma entusiasta da ovnilogia, ou seja, o que trata de discos voadores e ET, tendo publicado inclusivamente um livro em que afirma ter sido salva três vezes por extraterrestres.
Infelizmente, este tipo de argumentação – que nada tem de científico nem de lógico – tem grassado na sociedade, promovido pela circulação de e-mails e pelo sensacionalismo de alguma imprensa (é tão fácil mistificar títulos de artigos ou “cachas”!).
2. A vacina anti-gripe A
A vacina da gripe A é uma vacina segura e eficaz. Repito: segura e eficaz. E é bom que as pessoas assumam isto como um facto científico. Os efeitos colaterais que pode ter – como qualquer vacina – não a tornam insegura e resumem-se a febre baixa, dores musculares, inflamação no local da vacina e, nos adolescentes, sensação de desmaio. Os casos de reacção grave são raríssimos (menos de um caso para um milhão de vacinas!), e apenas em pessoas que tiveram reacções anafilácticas ao comer ovo (não são as inofensivas alergias da pele, mas ao verdadeiro choque “de cair para o lado”).
Uma das questões que muita gente levanta é a “pressa” com que a vacina foi feita. Pois a dita “rapidez” (entre aspas) foi a necessária e suficiente, semelhante a todas as vacinas antigripais. Não houve, portanto, qualquer pressa e tudo foi feito com o controlo de qualidade adequado. Outro argumento: as multinacionais andam a ganhar muito dinheiro com as vacinas; ao que eu contesto: então os vendedores de lenços de papel também ganham com as constipações e com a gripe, o que não quer dizer que estejam envolvidos em qualquer teoria da conspiração ou de manipulação.
Mais um argumento: o adjuvante, de seu nome escualeno, que causaria autismo e outras coisas mais. Não é verdade, e tal já foi bastamente clarificado quando da polémica, aqui há alguns anos, sobre a vacina do sarampo. O facto de alguns países retirarem estas vacinas tem a ver com pressões ambientalistas referentes ao uso de mercúrio, mas as alternativas ainda são muito escassas. Obviamente que, um dia que haja capacidade de produzir vacinas em massa sem escualeno, serão estas que ocuparão o espaço vacinal em todos os países.
3. As grávidas e a morte fetal tardia
No nosso país, ocorrem todos os anos, em média, 300 mortes fetais após as 22 semanas de gestação. Em muitos destes casos não é possível encontrar uma explicação. Como o número de grávidas vacinadas com a vacina anti-gripe A está felizmente a aumentar, é natural que os casos como os relatados nestas duas últimas semanas – morte fetal em grávida vacinada – sejam cada vez mais frequentes, sem que isso permita extrair qualquer relação de causa-efeito.
Relembro também que a gripe A pode ter efeitos mais desastrosos na grávida do que na população em geral, devido às alterações do sistema imunitário que ocorrem na gravidez.
4. Em conclusão
As doenças matam, as vacinas não. Em Portugal, centenas de milhares de pessoas estão vivas e de boa saúde graças às vacinas. A gripe A, apesar de ser uma variante benigna e “mansa” da gripe, pode ter consequências graves, designadamente nas grávidas e noutros grupos de risco acrescido, bem como (segundo os dados da monitorização da pandemia que vão chegando) nas crianças de menos idade. Por outro lado, a contenção da pandemia passa por travar a transmissão entre as crianças, que têm sido, provadamente, as maiores disseminadoras da doença.
É tempo de optar: independentemente do que viermos a fazer (só se vacina quem quer!), há dois tipos de atitudes: a que é lógica, científica, lúcida e isenta, ou a que é sensacionalista, mal informada e não fundamentada… como os ovnis e extraterrestres da ex-ministra que nunca foi ministra…
Mário Cordeiro, Pediatra e professor de Saúde Pública – Faculdade de Ciências Médicas (Universidade Nova de Lisboa)
- Fonte: Artigo de opinião no Jornal Público -

bras falta aqui muita coisa:
a alteração da definição de pandemia; as vacinas testadas em animais na Alemanha; o acordo entre o governo americano e as seguradoras sobre os efeitos da vacina; vacina em duas partes; os números forjados; etc.
coisas, que vá, são importantes.
Marcelo,
São teorias da conspiração dignas de figurar nos melhores tablóides ingleses (e na cabeça daqueles que nada mais têm para fazer do que ver planos maquiavélicos em todo o lado).
Essa da alteração da definição da pandemia tem muita graça, sobretudo porque o estado de pandemia foi decretado antes de qualquer alteração. Ao contrário do que queres tentar passar, essa alteração (que nem sei se se chegou a concretizar) tem por base o facto do critério se basear na propagação geográfica da doença e não na sua severidade, levando a que nalguns casos haja uma pandemia com doenças que pouco afectam o dia-a-dia das populações. No caso da Gripe A, esta revelou-se uma pandemia, nos termos desse critério (propagação da doença), mas a sua severidade foi menor do que se pensava (apesar de ter a capacidade de paralisar vários sectores da economia, já que uma gripe totalmente nova pode resultar num grande número de pessoas que ficam em casa a recuperar da doença), levando a que haja necessidade de distinguir os casos de pandemia — ou seja, criar vários patamares de pandemia. Por exemplo, a gripe das aves é altamente letal mas por sua vez a propagação é muito mais difícil, o que leva a que seja necessário adoptar um critério mais flexível para poder-se distinguir vários tipos de pandemia.
Um conselho de amigo: mais vale ler um único artigo credível e com fundamento científico do que “devorar” blogs de conspirações e uma semana do Jornal 24 horas.
Antes de mais, é importante perceber quais são os efeitos da gripe A, para perceber qual o nivel de risco para a saude publica. Ora, a famosa gripe A, é uma bacteria que ataca o sistema imunilogico (particularmente o sistema respiratorio) e que se não for detectada e medicada a tempo, pode ter várias consequências e em último caso, levar mesmo á morte por pneumonia. Isso é um facto comprovado cientificamente. Outro facto que também está comprovado cientificamente é que com uma gripe (sazonal)… acontece exactamente o mesmo. Ou seja, a maior forma de sensacionalismo é o alarmismo.
O meu filho tem 6 anos, e teve gripe A. Eu e a minha mulher, tratamos e dormimos com ele, durante o tempo todo. Nenhum de nós ficou doente, e querem saber da melhor parte… também nenhum de nós tomou a vacina!!!
A vacina para poder ter sido criada, testada de forma segura, e trazer resultados tão eficazes, tão rapidamente, das duas uma ou já estava criada previamente, ou não é assim tao segura quanto isso.
Podia-se escrever muito sobre isto e muitas outras coisas. Mas enquanto a maioria das pessoas não entender, que o dinheiro e a necessidade de poder relegou o valor da vida humana para segundo plano, não vale a pena perder tempo.
PS.: Ah! Acho que agora a OMS e a indústria farmaceutica está sob investigação porque há fortes suspeitas de ‘lobbie’ neste caso do H1N1.
Ora, afinal parece que a Drª Rauni Kilde…
Nuno,
lamento mas não estás muito bem informado e há argumentos que não são válidos.
1- A gripe, seja ela qual for, é causada por um vírus, não por uma bactéria.
2- Gripe, é gripe, independentemente da estirpe em questão. Nunca ouviste ninguém dizer que a gripe sazonal não mata. Aliás, isso é mais do que referido, em todo o lado, que a gripe sazonal mata anualmente milhares de pessoas.
3- Por no vosso caso não terem apanhado a gripe A do vosso filho, será que é isso que acontece na maioria dos casos? Não. E eu conheço, pessoalmente, vários casos de pessoas que fora infectadas e que infectaram toda ou quase toda a gente em casa.
4- Sem querer ser rude, e tendo em conta que vejo que achavas que a gripe resultava de uma bactéria, parece-me que não estás minimamente dentro do assunto para saberes que tempo é necessário para aprovar uma vacina, nem sabes quanto tempo foi esse “pouco tempo”, que levou a ser criada. Por outro lado, as várias entidades responsáveis por aprovar as vacinas (no nosso caso, a Agência Europeia do Medicamento) têm competência para isso e seguem processos muito (MUITO) rígidos, para garantir a segurança das pessoas. As vacinas não são aprovadas “sobre o joelho”.
5- A OMS não está sob investigação nenhuma. Há sim várias pessoas, incluindo entidades do Conselho da Europa (não confundir com o Conselho Europeu ou com o Conselho da União Europeia) que levantaram essas dúvidas. E eu acho muito bem que o façam, porque se surgirem provas de que alguém recebeu “luvas” para tentar empolar a situação da gripe A, deverá ser responsabilizado civil e criminalmente. Até lá, não passam disso mesmo: SUSPEITAS.
Nuno, chegares ao ponto de dares crédito a essa Dra e também entrar na ideia de que há um plano diabólico para matar uma fatia brutal da população mundial através desta vacina… nota-se, que já morreu muita gente que tomou a vacina. É evidente.
Já agora aproveito e complemento: porque é que se lançou um alerta de pandemia com esta gripe e não se faz com gripe sazonal?
É simples: para estarmos perante uma pandemia de gripe, é necessário que esta surja numa determinada região do planeta e se propague rapidamente à escala global. Foi o que aconteceu com esta gripe, que em poucas semanas já tinham sido detectados casos em todos os continentes.
Outro motivo prende-se com o facto de se tratar de uma gripe completamente nova, que teve origem numa mistura de gripe humana com gripe de outros animais e que, por isso, representa um perigo maior para nós já que:
1- Não temos defesas contra esta gripe, o que nos torna particularmente vulneráveis.
2- O número de humanos potencialmente infectáveis (e com consequências mais graves), é muito maior.
Para quem não sabe, a Gripe espanhola é uma estirpe da Gripe A (H1N1), tal como esta de 2009, e matou cerca de 50 milhões de pessoas no mundo inteiro. Não me admiro nada que, após a de 2009 se ter espalhado pelo mundo inteiro, originar, normalmente, sintomas mais violentos que a gripe sazonal, e as mortes começarem a aparecer a uma boa velocidade, a reacção tenha sido no sentido de precaver qualquer situação de dimensões catastróficas semelhantes à da gripe espanhola. Se calhar há muita gente viva porque tomaram a vacina, ou os outros tomaram a vacina e não os infectaram, ou, não apanharam a gripe porque, devido à insistente publicidade, grande parte das pessoas ficou obcecada em lavar regularmente as mãos, espirrar com um lenço à frente, ficar de quarentena em casa nos casos de ter sintomas.
Pensa nisso.